não consigo desatar o no da gravata
e já não sei por onde anda a mão que o atou,
os homens andam com pressa demais
para perder tempo tentando desatar nos de gravatas.
de minhas mãos nasceram flores que,
já velhas de espera me atrapalham o ser.
da minha boca, o canto estranho
nesse tempo de arqueólogos mortos.
incomunicabilidade
sou um pequeno planeta a emitir
na imensidão infinita, sinais eternos
a espera de alguém que os venha captar e decifrar.
sou o homem só, sem nome,
a espera do irmão que compreenda seu velho e estranho idioma,
para que o possa amar.
sou amante sem amada,
alma sem corpo,
discípulo sem mestre,
crente sem deus,
rei sem reinado,
hino sem canto,
poeta sem musa,
ator sem palco,
sou só romeu.
bloqueio
sou caos,
apocalipse,
éter,
sou deus.
Paulo Nunes
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