vem crianca dos altos campos verdes,
põe tuas leves mãos sobre meus cabelos
e me faz sonhar,
fala-me de fadas, de gnomos, de reis,
reconta-me estórias que, de antigas me esqueci.
vem,
cobre-me com teu negro manto de seda
e me faz dormir.
vem,
criançamente pela madrugada
despertar meu segredo,
mata meu eterno medo desse escuro-só.
arranca-me das trevas de uma eternidade fria
e faz-me gente-vida.
vem,
de boca a boca, encher de sopro-vida
este corpo-morte de espera vãs.
vem criança, não demores mais
que a noite acaba por se iniciar manhã.
Paulo Nunes
No comments:
Post a Comment