la' vem o enterro,
em um caixão branco,
o branco de virgem,
ninguém o segue,
e quem o segura
somos so nos dois.
la' vem o enterro,
tão nova, tão bela,
tão pouco viveu.
la' vem o enterro,
ninguém levou flores,
nem velas,
nem preces rezaram,
morreu,
quem ligou fui eu,
so' eu.
la vem o enterro,
e quem a matou,
não cumpre a pena,
não e' pecador,
la' vem o enterro,
enterro tão triste,
do que não durou,
tão nova, tão boa,
e ninguém chorou,
so' eu.
la' vem o enterro,
de nossa amizade,
de nosso amor.
Paulo Nunes
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